Como se aprende a Ensinar

 

Para se refletir sobre “Como se aprende a ensinar” é necessário perguntar se “ensinar é o mesmo que ser professor?”. Como se sabe a escola, desde sempre trabalha com o conhecimento, porém conhecer não é só informar e sim, formar para o desenvolvimento de um aluno reflexivo. 

Discutir “como se aprende a ensinar” nos remete também à reflexão pelo próprio professor sobre as práticas diárias desenvolvidas não só no chão da escola e na formação de professores, mas sim durante o momento da formação inicial. No decorrer dos cursos de graduação e, principalmente no momento do estágio, seja este curricular ou extracurricular, o aluno (universitário) necessita ser acompanhamento pelo professor de estágio, ou por um tutor de disciplina. Esta é uma prática enfrentada e discutida comumente nos cursos de formação de professores, de todo o país e, inclusive nos cursos de especialização com habilitação para a docência. 

Como comenta Albuquerque (2005), formar professores é levar o homem agir reflexivamente, é buscar qualidade no ensino, deixando de lado as perspectivas mecânicas, ritualistas, repetitivas. Formar professores é levar o homem a aprender a ensinar, é levar a refletir, é sair da zona de conforto e buscar uma nova prática, é buscar conceber uma ação movida pela reflexão, nunca sobrepondo a teoria contra a prática, mas as colocando em conjunto, compreendendo que não apenas se ensina a aprender, mas todos os dias se aprende a ensinar em nosso cotidiano em sala de aula.   

Nesta ótica, os cursos de formação de professores e em especial as faculdades de educação têm um exacerbado trabalho de levar a educação a ter sintonia com as mudanças de paradigmas que uma atual sociedade quer e necessita. Sendo assim, não está em jogo somente preparar o aluno para adquirir conhecimento, é necessário formar o profissional do saber, ou seja, o educador que realmente deva estar preparado para formar cidadãos e, ser capaz diante de uma gama de conhecimento conseguir ir além dos processos e técnicas de transmissão de conteúdo, este profissional deve estar habilitado a selecionar em cada área do conhecimento o que irá ajudá-lo a concretizar sua prática.

Os professores têm aprendido a ensinar durante sua prática no “aprender- fazendo”, ele usa o que aprendeu durante sua formação inicial e reproduz as práticas e estratégias de outros professores, isto é, sua identidade como professor sofre influências diretas da cultura institucional que está incluso (LIBÂNEO. 2007).

Com as novas exigências do mundo do trabalho, as ações durante o estágio curricular durante a formação de um profissional especialista em educação em sua área de atuação profissional, tem se tornado um aprendizado sem validade, pois quando o aluno já então formado chega à escola parece não ter conhecimento do “saber-fazer”. Acredita-se então que a faculdade deverá ser um lócus que dará e servirá de sustentabilidade para a construção dos saberes e dos aprendizados.

As mudanças no ensino hoje estão sendo muito discutidas e torna-se um desafio para educadores em geral. Isto porque tais acontecimentos implicam em mudanças de atitudes pessoais na postura de cada professor diante das atividades docentes e sociais, na medida em que as transformações vão ocorrendo.

Um ponto importante a se perceber é que para que as mudanças ocorram é fundamental refletir sobre a formação de professores, não apenas na formação técnica deles, mas também nas dimensões intelectual, corporal, afetiva, social, estética, ética e cultural, mesmo porque se trabalha diretamente com a formação de seres humanos, sendo um projeto de responsabilidade pessoal e social. 

Vale ressaltar as novas formas de pensar como aprender e ensinar os conteúdos, assim como as condições que facilitam as aprendizagens dos professores, como acontece essa formação e como ela se efetiva na prática, pois, em muitos momentos, torna-se praticamente impossível se conceber a escola como um local de produção de conhecimentos e de saberes, pois o professor torna-se um “robô” programado apenas para ministrar aulas. Não há tempo para o estudo a pesquisa e consequentemente para análise da prática docente. Dessa forma, a escola se torna um espaço incompleto, pois o próprio professor, formador do aluno, não possui um momento do pensar tanto individual quanto coletivo e romper com os espaços das salas de aula. 

Por isso, é necessário rever a formação do professor dentro de uma perspectiva reflexiva, estar atento a todas as mudanças e a sua forma de produção compreendendo as leituras e as dinâmicas que perpassam o sistema em sua formação e na produção de saberes sociais e educacionais e, que precisam ser contextualizadas dentro do cotidiano escolar.

Desta forma, no âmbito educacional os atores sociais precisam estar atentos quanto à sua formação pedagógica e sua produção de saberes. Sendo importante ressaltar que esta construção se dá a partir da responsabilidade do educador, tendo consciência das necessidades e dos anseios para compreender e articular os novos saberes.  

Assim segundo Lima (2003), esta ampliação de novos conhecimentos contribui para o desapego as antigas concepções produzidas historicamente. Os educadores hoje precisam assumir uma nova roupagem possibilitando novas descobertas e releituras de mundo, pois o conhecimento é sempre inacabado e se caracteriza como um objeto em constante construção.

O professor reflexivo que reconstrói seu conhecimento terá como objeto de construção o aprender a conhecer em um processo dinâmico, levantando hipóteses e considerando possibilidades. As indagações feitas pelos educadores têm a possibilidades de não olhar o conhecimento como acabado, mas de reconstruir novas possibilidades a partir do entendimento histórico. É fundamental que o professor reveja cotidianamente sua postura na dimensão ensino e aprendizagem dentro do contexto da teoria e da prática pedagógica em sala de aula. 

É importante ressaltar que o professor quanto profissional coerente se coloca como um sujeito em desenvolvimento, com conhecimento em construção e que já está inserido em uma dinâmica de exercício contínuo do aprender a ensinar pautado em uma formação continuada. 

Ao se tratar dos aspectos relativos do que é imprescindível para se aprender a ensinar, há pontos necessários a se tratar quanto à formação de professores como: compreender que os saberes teóricos serão a infraestrutura da sua prática; o aluno universitário seja apoiado por um mestre experiente que lhe indique os caminhos a serem percorridos para que seja conquistada sua autonomia; o professor compreender que o aprender a ensinar é para toda a vida; a necessidade da busca constante pela formação, de desenvolver técnicas e metodologias que facilitem a aprendizagem.

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Autora:

Prof. Ma. Priscila de Sousa Barbosa Castelo Branco

Professora da Faculdade Laboro

Pedagoga. Doutoranda e Mestre em Ciências da Educação com ramo de Especialização em Políticas Públicas e Contextos Educativos pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Lisboa/PT.

priscila@laboro.edu.br

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REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Luiz Botelho (Org.). Currículos Contemporâneos: Formação, Diversidade e Identidades em Transição/ Luiz Botelho Albuquerque. ET AL. – Fortaleza: Editora UFC, 2005.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê. São Paulo: Cortez Editora, 2007.  

LIMA, Paulo Gomes. Tendências paradigmáticas na pesquisa educacional. Artur Nogueira/SP: Amil, 2003.

 

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